Artigo: O emaranhado das águas

Na língua tupi a palavra Maranhão significa “mar grande”, ou “caminho das águas”. Por isso, ainda hoje, o rio Amazonas é chamado em suas nascentes, no Peru, de rio Marañon.

Nós maranhenses, portanto, somos tributários dessa origem que remete à lógica da ocupação de nosso território, conquistado pelas águas, ao longo dos vales férteis das nossas 12 bacias hidrográficas.

Nem há originalidade nesse destino, já que nós, enquanto humanos, somos herdeiros das grandes civilizações que surgiram do uso e ocupação das margens dos rios, que deram origem à economia agrária, devido à fertilidade do solo e à quantidade de recursos ambientais que garantiram a organização de agrupamentos sociais mais complexos.

No Nordeste brasileiro, pela exuberante quantidade de água, o Maranhão é como uma mesopotâmia, berço de vida e destino de vários assentamentos humanos. É pena que essa quantidade de água não se traduza em qualidade. Nossos rios estão agonizando, em lenta deterioração de seus recursos. Depois do nosso povo, essa é nossa maior relíquia. E estamos fazendo pouco caso do tesouro que temos nas mãos.

Faço esta reflexão por ocasião do encerramento do ciclo de seminários que organizamos, em todo o Estado, discutindo a Revitalização dos Rios Maranhenses e suas Nascentes, dentro do projeto SOS Águas do Maranhão, criado em meu mandato.

O objetivo, declarado, era o de discutir e fomentar políticas públicas que auxiliassem a revigorar as bacias hidrográficas do Maranhão. Nos reunimos em São Luís, Pedreiras, Caxias, Grajaú, Balsas e Imperatriz, suscitando debates entre técnicos de renome e as forças vivas da sociedade.

Fiz questão de provocar o debate in loco, em cidades às margens dos grandes rios, para trazer para perto da questão as entidades civis locais, os dirigentes municipais, as escolas e todos que quiseram participar no enfrentamento de problemas tais como o despejo de esgotos sem o devido tratamento, a perda de volume da água, o assoreamento, a poluição, além de outros danos causados não somente por desgastes naturais, mas, sobretudo, pela ação do homem.

Muito foi levantado e discutido ao longo dos últimos meses, mas o fruto principal que colhemos foi justamente a sensibilização da sociedade para o problema cuja solução depende fundamentalmente da mobilização de consciências.

Essa é uma bandeira que continuarei a empunhar, especialmente agora que recolhi e testemunhei o fervor com que o tema é tratado por abnegados em todos os quatro cantos de nosso Estado. Há muito a ser feito, mas o principal é manter a mobilização para que ao final o Maranhão e seu povo se reencontrem com o seu destino, de herdeiros desse emaranhado de águas.

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