Com boas razões o Maranhão comemorou o crescimento do PIB, de 9,7%, que lhe deu a liderança nacional graças ao excepcional desempenho da produção agrícola, em função de ganhos de produtividade, investimentos em tecnologia e condições excepcionais de clima.

A agricultura nacional puxou de tal forma a produção brasileira, com crescimento de 13% no setor, que, sem o agronegócio, segundo o IBGE, o PIB brasileiro teria crescido apenas 0,3%, e não 1%, como foi registrado.

Os estados de forte expansão agrícola, como os do Matopiba, foram os que mais cresceram. Por outro lado, nos estados com economia baseada na força industrial, que tradicionalmente puxam a locomotiva do país, o desempenho médio ficou abaixo de 0,5%.

Mais do que comemorar, no entanto, esses números nos deveriam fazer refletir sobre a necessidade de saber aproveitar as oportunidades para formular pactos de crescimento de longo prazo, com cenários realistas de planejamento.

Esses números não projetam um padrão equilibrado e sustentável de crescimento, mas um momento excepcional de reajuste geral em função de desequilíbrios que assolam a dinâmica econômica do país.

Não é de hoje que venho apontando a necessidade do Maranhão de mudar o foco para centrar seus esforços em projetos estruturantes, capazes de emular as iniciativas públicas e privadas para que a energia política não se dissolva, como vem acontecendo hoje, em projetos de varejo, de inspiração eleitoral, consumindo recursos de empréstimos que se tornarão dívidas para o nosso povo.

Reconheço que não é de hoje, no entanto, que nossa cultura política está impregnada por esse sentimento de urgência, refém das circunstâncias de momento, incapaz de construir as bases para ao menos mudar a curva de crescimento.

Lembro com emoção as críticas que sofreu meu pai, quando governador, por ter se dedicado a projetos que muitos diziam faraônicos, ou movidos por interesses escusos. Num tempo em que a região sul do Estado era um ermo, sem energia elétrica, sem perspectiva de crescimento, Luiz Rocha anteviu as possibilidades que se abriam com a expansão das fronteiras agrícolas que se desenhavam em direção ao norte.

Sem apoio de quase ninguém, de forma quixotesca, resolveu tomar para si a construção de uma rodovia federal, visando dar as condições para o escoamento de uma produção que ainda era incipiente e incerta.

Com recursos do próprio Estado, sem apoio do orçamento federal, Luiz Rocha abriu a golpes de ousadia a rodovia que liga Balsas a Estreito, num esforço sem similar, desbravando terras, dando a senha para que investidores e empreendedores de todo o Brasil fossem para a região fazer a vida, como pioneiros.

Essa ainda é a mesma estrada, tão maltratada nos dias de hoje, que viabiliza o escoamento da produção da riqueza que hoje sustenta a pujança da região. A incompreensão, as feridas da injustiça, não desanimaram o velho sertanejo a seguir em frente, dominado pela grande visão que moldou sua trajetória de vida pública; a de que governar não é apenas cuidar do presente, mas preparar o futuro.

É essa visão que hoje temos que recuperar, para construir consensos políticos que nos façam avançar em projetos capazes de colocar nosso estado em uma rota virtuosa de crescimento, que possa, a partir da geração de riquezas, oferecer perspectivas de produção autônoma e crescimento para nosso povo.