Assim como o poeta Gonçalves Dias criou seu maior poema, a Canção do Exílio, sem nenhum adjetivo, também o poeta Sousândrade criou nossa bandeira sem nenhuma curva.
Traços retos, simbolizando as três raças que compõem nossa formação étnica, se somam à estrela de cinco pontas que representa nossa posição no céu da República.
Ambas criações, de dois dos maiores poetas do Brasil, tornaram-se orgulho de todos os maranhenses.
Penso nisso ao imaginar os caminhos que a riqueza maranhense tomou ao longo dos séculos. Por que o Maranhão se enclausurou como uma ostra, voltado a si mesmo, quando dispunha dos maiores ativos do Planeta, dada sua localização geográfica, no centro do comércio mundial?
Penso nas resistências que se criaram contra a ZEMA – Zona de Exportação do Maranhão, por uma visão política cega, que imagina que o crescimento de uns significa a retração de outros.
Foi justamente o caminho inverso que tomaram Cingapura e Hong Kong, que não tendo extensões de terra, nem água, nem energia, apostaram na abertura comercial e na liberdade econômica para se tornarem líderes no competitivo mundo atual.
Penso em toda a Ásia, que em meio a guerras e instabilidades de todo o tipo conseguiu modificar o eixo da dinâmica econômica do capitalismo, pensando grande e sonhando alto. Principalmente, inconformando-se com o destino que haviam lhe pregado, de tornar-se o servil acompanhante dos países do ocidente.
Falta ao Brasil, e especialmente ao Maranhão, a chama visionária de um espírito público que não se verga a fazer o papel de coadjuvantes.
Eu vejo a ZEMA como um grito por liberdade, para desembrulhar os presentes que Deus nos deixou, que são a melhor porta para os mares, a região do Itaqui, e a maior janela para os ares, a base de Alcântara.
Não tenho dúvidas de que a chave para desembrulhar esses presentes passa por investimentos em Educação e em Ciência e Tecnologia. Vejam os exemplos de Cingapura. Há 50 anos era apenas um pequeno porto pesqueiro, tão insignificante como qualquer vilarejo nas costas brasileiras.
Com foco, fé e determinação política, hoje dá aos seus filhos o maior IDH do Planeta. A qualidade de vida a reboque do crescimento econômico, e não o contrário, como prega nossa esquerda incapaz de aprender com os exemplos da própria esquerda mundial, como a chinesa.
O caminho é longo e árduo. Mas se tivermos o entendimento das riquezas que temos nas mãos, bem como da necessidade imperiosa de tornar o povo maranhense sócio dessas riquezas, daremos os passos corretos.
“Em cismar sozinho à noite, mais prazer encontro eu lá”, cantou o poeta. Lá no Maranhão, onde canta o sabiá, onde três raças se juntaram e onde podemos fazer um lugar digno e exemplar para as futuras gerações.
Senador Roberto Rocha
Senador de todos os maranhenses