O estudo “Onde estão os ‘ricos’ no Brasil”, publicado pela Fundação Getúlio Vargas, envergonha os maranhenses e deveria provocar a reflexão da sociedade maranhense e acender o alerta entre os agentes públicos do Estado.

Segundo esse levantamento, dentre as dez cidades mais pobres do Brasil, oito ficam no Estado do Maranhão. Esses números foram obtidos por meio das informações da Receita Federal sobre o Imposto de Renda Pessoa Física de 2018 e dados do IBGE organizados pelo economista Marcelo Neri, diretor da FGV Social.

Esse resultado, assombroso, revela um aspecto perverso da economia maranhense, que foi incapaz, ao trocar o rumo da política, do chamado sarneysismo para os rumos da esquerda do partido comunista. Ainda que pareça ser uma inversão completa de rumos, o fato é que o Maranhão segue colonizado pela ideia de que o Estado é quem deve prover a riqueza para os seus cidadãos.

Antes, pela ótica do paternalismo de direita, agora pela do populismo de esquerda. Tanto um quanto outro foram incapazes de promover um plano de desenvolvimento marcado pelas óbvias vantagens competitivas de que o Maranhão desfruta: terras abundantes e férteis, localização privilegiada como saída para os grandes mercados internacionais e a ausência de obstáculos como o fenômeno da seca que aflige os demais estados nordestinos.

O Maranhão, como dizia Celso Furtado, poderia ter sido o Paraná do Nordeste. Acabou tornando-se um exemplo vivo do preço que pode pagar a população quando se vê sem escolhas políticas.

O que explica a renda média de 19,89 reais/mês da população de Fernando Falcão que lhe deu o triste título de o município mais pobre do país? Somente um conjunto de fatores complexos pode dar luz a essa situação. Certamente, dentre eles, destaca-se a incapacidade do Governo estadual organizar o mínimo de condições para fazer decolar qualquer atividade econômica que gere renda. A economia nesses oito municípios maranhenses está presa a uma roda de vícios que mantém as cidades como que atadas a modelos pré-capitalistas, quase feudais de organização social.

Pior é a insistência na interdição ideológica que teima em ver o empresariado como adversário dos bons propósitos do Governo. O lucro, que é a remuneração do empresário, ainda é visto como mais valia, ou a expropriação do trabalhador. Esse viés impede que o poder público abra as portas para o investimento que não seja o estatal. O resultado aí está. Preso a essa danação, a economia das cidades reproduz a inércia e a estagnação que a mantém paralisada em modelos arcaicos.

E assim segue a roda, sem qualquer perspectiva de médio ou longo prazo de mudanças. Enquanto os vizinhos, como o Tocantins ou o Ceará decolaram, impressiona a sina do Maranhão de não ser capaz de organizar-se politicamente para fazer frente a tamanho escândalo.

Confira o ranking com as 10 cidades de menor renda média no Brasil (Município/Renda Média da População/Patrimônio Líquido Médio da População)

– São João do Soter (MA) – R$ 36,33 – R$ 223,38
– Milagres do Maranhão (MA) – R$ 36,14 – R$ 425,07
– Turilândia (MA) – R$ 35,90 – R$ 75,48
– Primeira Cruz (MA) – R$ 34,86 – R$ 86,62
– Jenipapo dos Vieiras (MA) – R$ 34,72 – R$ 375,00
– Chaves (PA) – R$ 34,10 – R$ 136,62
– Centro do Guilherme (MA) – R$ 32,99 – R$ 258,64
– Cachoeira do Piriá (PA) – R$ 31,48 – R$ 221,32
– Matões do Norte (MA) – R$ 26,70 – R$ 321,61
– Fernando Falcão (MA) – R$ 19,89 – R$ 156,00