Não é opinião nem palpite. Não é desejo ou viés ideológico. Não é crença nem vontade política. São apenas os frios números oficiais revelados pelo IBGE no estudo Síntese dos Indicadores Sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira em 2020.

De repente o Maranhão tomou um susto. Os dados mostram que 400 mil maranhenses entraram na faixa de extrema pobreza nos primeiros cinco anos do governo Flavio Dino. Simplesmente um a cada 5 maranhenses vive na total indigência, segundo o IBGE e a ONU. E cerca de metade da população vive abaixo do limite de um dólar por dia, o pior cenário do Brasil. Mais de 65% continuam vivendo na informalidade, sem garantias trabalhistas, sem carteira assinada, sem o mínimo de segurança no trabalho. De novo, para variar, o pior índice em todo o país. Sem contar ainda que o Maranhão está entre os três piores estados quando se trata de acesso a saúde com 93% da população dependente da saúde pública.

Mas não era esse o novo governador que anunciava um choque de capitalismo no Estado, que passaria a ser governado com o império da lei, em obediência a regras republicanas no cuidado da coisa pública?

O que se passou então?  Anos e anos de investimentos milionários em publicidade e propaganda governamental vendiam a ilusão de que o Maranhão estava mudando para melhor. Mas na verdade não havia o menor resquício de planejamento governamental, nem o cheiro de plano estratégico guiando os dirigentes do Estado. Havia apenas a velha e surrada ideologia de esquerda, cediça e bolorenta, que acredita que com bons propósitos se chega fatalmente a bons resultados.

Mas onde estava o mínimo de ideia de Estado? Onde estava uma visão de futuro baseada no crescimento da produção e da riqueza? Nunca houve nada disso no atual governo.

Paguei o preço por denunciar essa farsa. Nos últimos anos, isolado politicamente, vivi sob a sórdida acusação de ser um traidor. Chega a ser engraçado ver hoje tantos que me acusavam agora admitirem à boca pequena ter embarcado na canoa furada desse governo.

Os números do IBGE e da ONU não apenas mostram a falência do atual governo. E olha que não são números definitivos, uma vez que a verdadeira avaliação só se dará nos anos seguintes ao término do mandato do governador, quando chegarem os índices consolidados de todo o seu período governamental.

Mas o que é verdadeiramente grave, é o governo não ter dado ao menos um sinal de mudança de percurso. Uma simples torção na dinâmica econômica do Estado já seria suficiente para indicar um novo rumo. Mas não, quando me dou conta de que a maior janela de oportunidades que o Maranhão já criou, a ZEMA – Zona de Exportação do Maranhão, nunca mereceu um único comentário do governador, que parece abobalhado ante a perspectiva do Maranhão se entregar para um forte crescimento, baseado no capitalismo mais moderno e vibrante que existe.

É pena que o Maranhão tenha aprendido essas lições da maneira mais dura possível. Que os últimos anos sirvam de lição para nossa gente. Temos todos os atrativos para nos tornar uma das economias mais prósperas do país. Temos presentes de Deus que precisamos desembrulhar, tais como o complexo portuário, a base espacial de Alcântara, os lençóis maranhenses…

Chega de cair no jogo de sedução de grupelhos políticos sem grandeza de alma e sem espírito público!

Senador Roberto Rocha