O Senado da República está reunido esta manhã para celebrar os 45 anos de atuação da Codevasf.
Mas não tanto pela idade da Companhia, mas sim pela sua capacidade regenerativa, sua habilidade de crescer sem perder a natureza e os ideais com que foi criada.

Lembra-nos João Cabral, no poema A Educação pela Pedra, quando nos diz da lição de economia, seu adensar-se compacta, de fora pra dentro, como uma cartilha muda.

Talvez essa sabedoria institucional venha da perseverança da vida do sertão nordestino. Muito provavelmente virá também da percepção, tão à frente do seu tempo, já presente à Constituição de 1946 que estabelecia que o Governo Federal ficava obrigado a traçar e executar um plano de aproveitamento das possibilidades econômicas do rio São Francisco e de seus afluentes.

Sua área de atuação foi definida pelo conceito de bacia hidrográfica, que corresponde à área na qual ocorre a captação de água para um rio principal e seus afluentes em decorrência de aspectos geográficos e topográficos.
Uma visão revolucionária na época, anos antes da ecologia ter assumido o papel preponderante nas pranchetas de planejamento.

Na prática, essa definição pode ter tirado a guerra dos territórios, marcada pela força política das bancadas, e redistribuído para o alcance mais natural e ambiental gerador da vida e das populações urbanas e ribeirinhas.

O fato é que a Codevasf nos deu exemplos de crescimento sem envelhecimento institucional. Quando outras instituições viram morrer a seiva de sua razão de existir, a Codevasf a cada dia torna-se mais e mais importante no cenário nacional.
Hoje alcançando 27% do território nacional, ela abrange diversas bacias hidrográficas e realiza o mais nobre papel que é o de redução das desigualdades regionais.

Antes, às voltas com a escassez de águas da bacia do São Francisco, hoje ela vê-se atuando em algumas bacias amazônidas, onde o desafio não é mais o aproveitamento do pouco, mas o da abundância. E os desafios continuam imensos, para transformar a água em verdadeiro ativo econômico para a nossa população.

Outra virtude da empresa é se constituir como um braço do governo federal nas regiões onde atua. Um braço autônomo, que consegue, independente do governo do estado, fazer política pública, entregando resultados.
Mas tudo isso são virtudes institucionais, sem as quais nada aconteceria, não fosse a extraordinária política de aperfeiçoamento constante de pessoal da empresa.

Novos desafios, novas competências se apresentam. Esse é o segredo da Codevasf, que homenageamos nesta sessão em reconhecimento a uma empresa que tem a sua missão gravada no coração de cada funcionário.
Parabéns a todos que fizeram e fazem a história da Codevasf, uma empresa exemplo de gestão e de compromisso como país.